Um dedo de prosa

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Fulaninho chegou de mau humor do trabalho, mas calado. Nos dias bons ele chega falando — aos berros — o que aconteceu de errado no seu dia. Eu me calo. Todas as vezes que fico em dúvida. Eu duvido o tempo todo, logo vivo muda. Nas vezes que acho que encontrei minha voz, desafino. Aprender a falar, talvez, não seja uma coisa definitiva. Talvez precise de muitos anos.

Eu não berro, mal falo. Ouço demais, pondero todas as opiniões e quando chego a uma conclusão algo vem me fazer titubear. Entre calar ou falar, escrevo. O não dito fica guardado na gaveta, alimentando os fungos da casa.

Tem muita coisa acontecendo e quanto mais eu leio, menos entendo. Renato já disse que o mundo anda tão complicado e eu queria dizer a ele: querido, parece que ficou pior.

Poeta nunca deveria morrer, precisamos de suas palavras com sabedoria. Poeta nunca deveria viver, num mundo que machuca a alma. Poeta talvez seja um et disfarçado visitando o planeta e quando falece volta pra casa com o veredito final:

Não vão pra Terra, lá não é lugar pra se habitar. Melhor curtir o sol daqui de Vênus.

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Gabi Blenda

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