Pra coluna não doer o tempo todo
Colocar a própria cara na timeline é um desafio para quem só tem foto de livro nas redes sociais. Mas com o sol em leão fica impossível resistir ao impulso egocêntrico.
O momento perfeito para a selfie não é decidido pelo cérebro e sim pelo cabelo. Não tem foto certa se o volume e o frizz não colaborar. 167 fotos depois, começa o segundo tempo: escolher qual será publicada. É quando o jogo entra pro tudo ou nada.
Sorrisinho meigo, nem pensar. Cara de bunda, nem comento. Fico na dúvida entre a de olhos revirados e a de riso forçado, pra combinar com uma legenda de ironia ou autodepreciação — a diferença é tênue, nunca se sabe.
No auge do desespero, a foto borrada e com careta parece a melhor opção. Desisto. Penso em falar com uma amiga. Penso em falar com a terapeuta. Evoco mantras. Tanta leitura contra a objetificação e continuo dando zoom nas fotos, identificando os motivos para não publicar. É só uma foto no Instagram, mas são vinte e seis anos de pressão estética nas costas.
Próxima foto agora só no retorno de saturno.
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