Comédia romântica

Photo by DeMorris Byrd on Unsplash

Foi na frente daquela prefeitura achatada que você me deixou esperando. Sentei no chão, de vestido e tudo; pelo menos não era branco. Ocupei o tempo com os paralelepípedos, evaporando calor e tédio. Eu poderia ter um ataque histérico e dizer que é o hormônio culpado por me deixar aflita. Mas sou do espectro obsessiva.

No filme da Cher é má sorte casar no cartório, sem direito a bolo e cerimônia. Ela voltou a morar com os pais e os cinco cachorros da família, depois que o marido morreu. Me pergunto quem de nós dois vai primeiro.

O cemitério em São Lázaro tem mais flores frescas do que o ramalhete em minha mão. Eu poderia cancelar o casamento. Em legítima defesa, noiva atrasada é um rito; noivo é presságio ruim. A expressão ir em boa hora deve ter sido inventada para esse tipo de ocasião.

Já estava desistindo quando vi um ponto marsala afobado e sorridente no fim do caminho. Entre tolices da embriaguez, pareceu uma boa história contar aos filhos que “casamos vestidos como duas garrafas de vinho”, então apostei em você pra passar essa vergonha comigo.

Mais tarde ouvirei atentamente a sua versão de noivo em fuga, enquanto penso: eu não me arrependo de você.

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Gabi Blenda

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